sexta-feira, 7 de junho de 2013

Meus Olhos, João Roiz de Castelo-Branco



Meus Olhos
João Roiz de Castelo-Branco



Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.


                                                              João Roiz de Castelo-Branco, poeta do séc. XV, in Cancioneiro Geral

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